Viver para além das ilusões

Rompendo crenças limitantes

ReconheSER



O segredo da saúde mental e corporal está em não se lamentar pelo passado, não se preocupar com o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas viver sábia e seriamente o presente. (Buda)




Este foi um dia de práticas com nossos alunos e convidados, especialmente importante para que pudéssemos nos reconheSER.


E essa experiência de reconheSER, conforme temos apreendido, sempre começa pelo lado de cá, pelo que nos trouxe até esse momento, que nos permitiu desejar e construir esse agora. Esse tadasana, essa coragem de ancorar serenamente nos próprios pés.


Para nós também não foi (e nem é) nada fácil ou ingênuo romper padrões de crenças que nos limitam, comportamentos e máscaras que dia após dia nós mesmas fixávamos como roupas ou armaduras na expectativa da convivência e de atender àquelas, dos outros.


Quando a gente chega num shala e se depara com aquele cenário de silêncio, organização e condução harmoniosa da Prática por meio de uma professora ou professor amoroso e instruído na filosofia do yoga (aqui, novamente, saudamos e reverenciamos nosses mestres), ali mesmo, temos a chance de iniciar a escavação e quebradeira, primeiros escombros, para nos reconheSERmos.


Seja na comparação com aqueles que nos cercam em seus tapetinhos, nas roupas "de yoga" que trajam, nos comandos e palavras que desconhecemos, na loucura que é construir e permanecer nesta ou naquela postura, chegamos ali, eu, você, todes, desamparados, quebrados e quem sabe, plenos de justificativas perfeitas para fugirmos dessa tal aula de yoga.


Muitos fogem (mas falaremos sobre esses, em outra ocasião).


Outros tantos, estranha e corajosamente alegres, ainda impactados por essa tal de "aula experimental" continuam voltando.


E descobrimos (sempre estamos incluídas nessas descobertas) na continuidade e frequência às aulas, o quanto de máscaras, suores, dores, certezas, falta de foco, desatenção, hipertensão, insônias, encurtamentos, desequilíbrios de toda ordem, vão perdendo espaços e nesses novos espaços que surgem, a gente tem a chance de se reconheSER.


Isso não quer dizer que o praticante de yoga encontrou o equilíbrio eterno, o samádhi, nem que livrou-se das doenças, descobriu seu grande amor, virou professor ou professora de yoga, converteu-se às religiões orientais, virou ateu, fundamentalista, conservador, apolítico, vegano, monge ou fisioculturista.


Isso quer dizer que aqueles que continuam voltando aos seus tapetinhos, que continuam atentes aos comandos de seus professores (mesmo quando já conhecem a maioria desses comandos), têm uma chance maior de identificar e romper samskára (raízes profundas de condicionamentos humanos).


Aquela primeira imagem no inicio do post é o registro do que antecedeu ao que jamais imaginaríamos vivenciar com nossos alunos aqui, no Rio de Janeiro e nem no mundo inteiro: pandemia, tempo (imenso) de afastamento social, vigilâncias sanitárias, perdas de familiares, amigos, trabalhos, empregos, negacionismos de toda ordem e suas consequências que afetaram a todos nós (tristezas infinitas, pânico, depressão, disfunção alimentar, perdas de massa muscular e da sanidade também).


Foi nesse cenário, quando nós mesmas perdíamos literalmente o chão e buscando atender às solicitações e demandas de nossos alunos e clientes do yoga e ayurveda que criamos o VS.


O VS é fruto da pandemia do covid-19.


Tadasana é o nome de uma postura no yoga e quer dizer, Postura da Montanha.


Na possibilidade da postura, vivenciamos a base para outros ásanas, ao mesmo tempo em que trazendo a consciência para nossa própria estrutura, fundação, temos a chave, para permanecermos literalmente de pé.


O VS é nosso tadasana, na vida, para nós e todes os participantes da Comunidade.

Nele, por meio da prática online e ao vivo (que diga-se, veio para ficar) realizamos cotidianamente, a tal quebradeira com o mesmo impacto e possibilidade de construções, talvez até mais eficiente do que nas aulas presenciais, devido ao afeto e trocas intensas que experimentamos rotineiramente.


Nesses tempos, mais do que em qualquer outro, estamos aprendendo que tudo passa e muda e isto requer ichchha (força de vontade) para reconheSER e "... viver sábia e seriamente o presente".


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